Poemas (XC): «Inscrição», de Sophia de Mello Breyner



(Fotografías realizadas con dispositivo móbil)
Sempre me interesou a poesía de Sophia de Mello Breyner, con certeza a voz que máis falou do mar na súa inmensa obra e que finou hai trece anos, o 2 de xullo do 2004. Na nosa última estadía en Lisboa sorprendeunos gratamente que os versos da poeta estivesen en varios lugares das rúas próximas ao fermoso miradouro que leva o seu nome (antigo Miradouro da Graça, freguesia de São Vicente da Graça) e do que se pode ollar a cidade vella lisboeta. Desa presenza nas rúas son as imaxes da miña propia autoría que acompañan esta breve lembranza.
Para alén diso, reproduzo os últimos parágrafos do artigo «Sophia de Mello Breyner, um nome que guarda em si mesmo toda uma vida / exemplo» que asina Teresa Carvalho no dixital Jornal Ionline e tamén un poema visual de Heduardo Kiesse baseado nos seus versos. Velaquí:
(…)
Da infância aristocrática passada no Porto, sua cidade berço, retém a sua obra poética e ficcional vivências de intensidade variável, momentos de confronto afectuoso com os seres e as coisas, ensinamentos incomunicáveis, lugares marcantes como a quinta da família, no Campo Alegre, onde hoje se encontra instalado o Jardim Botânico, mas também a praia da Granja, que lhe despertou a paixão pelo mar. Nos seus fluxos e refluxos, o mar, lugar de inteireza e via de encontro, marcou intensamente a sua produção literária, em verso e em prosa, nela ocupando um lugar central como demonstram os títulos Dia do Mar (1947), Coral (1950), Mar Novo (1958), Navegações (1983), Ilhas (1989), Búzio de Cós e outros poemas (1997), Histórias da Terra e do Mar (contos, 1984), A Menina do Mar (1958), este último um clássico da literatura para crianças e jovens que, juntamente com A Fada Oriana (1958) ou O Cavaleiro da Dinamarca (1964), começou por destinar aos seus filhos.
A frequência do curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que decidiu abandonar em 1939, proporcionou-lhe um primeiro contacto com a civilização grega, que depois aprofundou, com olhar admirativo, nas sucessivas viagens feitas à Grécia, ao longo da vida. O fascínio pela Hélade e a sua cultura (autores, figuras históricas e mitológicas, lugares…) reflecte-se abundantemente nos seus poemas, que ora optam pela glosa de motivos helénicos, ora pela alusão fugidia.
Nos começos do seu itinerário poético – iniciado com o volume Poesia (1944) – Sophia deixou o seu nome ligado à revista Cadernos de Poesia, aí tendo estabelecido fortes laços de amizade, nomeadamente com Ruy Cinatti e Jorge de Sena com quem se correspondeu. No tempo de mordaça e de repressão que lhe coube viver, Sophia, que corajosamente se opôs ao regime ditatorial de Salazar – o «velho abutre» – sabia que «até a voz do mar se torna exílio/ E a luz que nos rodeia é como grades» (Tempo Dividido, 1959).
Co-fundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores, manteve, depois do 25 de Abril, uma actuação cívica de relevo, tendo sido deputada à Assembleia constituinte pelo círculo do Porto.
Sophia deixou no Livro Sexto uma «Inscrição» justamente celebrada: «Quando eu morrer voltarei para buscar/ Os instantes que não vivi junto do mar».
INSCRIÇÃO
“Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar”
Sophia de Mello B. Andresen
Vídeo: Heduardo Kiesse (Publicado o 1 de setembro de 2015)

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