Poemas (IV): Diacrítico, de João Rasteiro


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(Na ligazón fotografados pola poeta Karinna Alves Gulias “Guliaska”: João Rasteiro, Márcio André e eu propio en Coimbra, o 5 de marzo do 2009)
Diacrítico é o sexto libro individual de João Rasteiro (Coimbra, 1965), un poeta da miña mesma anada, a quen coñecín nos Encontros Internacionais de Poetas e que “traduziu para o português vários poemas meus”, aínda que eu diría “adaptou” pola proximidade lingüística. Trátase dun potente libro sobre a creación humana, que publicou a Editora Labirinto. No “Prefácio” o poeta Albano Martins fai unha análise certeira da que salientamos este fragmento: «Portadoras dum sentido originário, genesíaco, as palavras abrem sulcos num terreno onde o significado se oferece pleno de potencialidades e sugestões, carimbando de decantada expressão o corpo do poema. Tudo, aqui, é alusão. Tudo é profecia, oráculo, metamorfose. Tudo é, também, delírio. A linguagem é, como se lê no capítulo XVII da segunda secção, a “das vísceras condenadas à ilusão do verbo”». Diacrítico está dividido en dúas partes: “O desconcerto de deus” e “A ressurreição das crias”. Da primeira parte reproducimos este magnífico poema, un texto que como sucede en todo o libro principia sempre nun signo de puntuación e está en minúsculas.
VIII
.a arte mais sublime de trespassar a morte é descansar num nevoeiro a arder de sangue. e mastigar a ferocidade das abismadas paisagens com a zoologia aberta do amor. na agonia da pura inocência. olhar o gume da lâmina prateada e amá-la exalando a sua boca atulhada em espaço lírico. no ventre suculento das algas. a renúncia do torpor é apenas a entrega incólume da candura e da vulva viva porque nos incutimos erectos. o fingimento que evoca a mulher sufocada nos ganchos quando o poeta faz de homem sábio. a magnólia cheirando a incesto nas palavras faustosas. cada golpe luminoso é a acutilante pujança das orquídeas negras do nosso próprio eco. a exígua morte.

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Unha resposta a Poemas (IV): Diacrítico, de João Rasteiro

  1. Caro amigo e poeta Miro Villar, apenas quero dizer-te obrigado, mas, obrigado sobretudo pela tua amizade, embora tenha gostado bastante das tuas palabras.
    Abraço de coimbra,
    João Rasteiro

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