«Mariza: a mais popular das vozes portuguesas»


A lectura da reportaxe «Mariza: a mais popular das vozes portuguesas», que publicou o portugués Diário de Notícias fíxome lembrar a notoria presenza nos meus versos de moitas referencias aos fados e aquí xa teño falado de Amália Rodrigues. Pois ben, tamén a voz de Mariza está referenciada no poema «O ciclo da auga» que se inclúe no poemario As crebas (Espiral Maior: 2011). Deseguida reproduzo o inicio da reportaxe xornalística, que recomendo ler completa, e logo vai ese meu poema:
«Mariza é hoje a voz da música portuguesa com maior visibilidade no mundo. Os seus discos estão todos editados além-fronteiras. As digressões que faz são hoje extensas e cruzam todos os continentes. Pelo mundo já ganhou prémios e nomeações. Na BBC foi já eleita como figura do ano na área da world music. Nos EUA foi, até hoje, a única voz portuguesa a conhecer uma nomeação para os Grammys latinos. A sua carreira internacional inclui já um dueto com Sting, uma parceria com Frank Ghery num espectáculo em Los Angeles, uma actuação num dos palcos do mega-concerto Live 8 ou a sua presença, com destaque, no filme Fados, de Carlos Saura».
O ciclo da auga
Transpiras a suor pegañenta do medo como animal ferido que foxe entre a floresta.
Evapóraste fráxil na atmosfera celeste á busca do fulgor no rostro amable do astro.
Condensas os teus líquidos en nubes de tormenta a viaxaren no vento desde o mar deica a costa.
Precipítaste en chuvia de saudade nos vidros, a mesma que escoitaches no fado de Mariza.
Alimentas nacentes que corren subterráneas e afloran na epiderme da sensibilidade.
Formas unha corrente a acaudalar o río que no seu fértil curso te devolve ao mar.
E no océano esperas os cálidos afectos sabendo que non morre, nunca, o ciclo da auga.

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